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TRICOLUNA: Lá vem o Boca!

Estreando uma nova coluna, o Blog traz uma análise de como vem o Boca Juniors e de como seria uma boa maneira de enfrenta-los de acordo com as peças que o Fortaleza tem a disposição.


Reprodução: @BocaJrsOficial


O jogo mais importante da fase de grupos para o Fortaleza se aproxima. Tirar pontos do Boca e dar de presente uma vitória histórica seria o ideal, mas se engana quem acha que a maior equipe das américas está enfraquecida pelo fato de disputar a Copa Sulamericana. Apesar de Jorge Almirón ter colocado um calço gigantesco no "acelerador" do Boca, Diego Martinez colocou os Xenezies para jogar em total capacidade.


Baseado no que vi do Superclássico, o ultimo jogo dos visitantes antes de embarcar para Fortaleza, vou trazer uma analise de como joga a equipe mais temida da Argentina e como o Fortaleza pode se postar buscando mais competitividade.



A equipe do Boca gosta e sabe jogar com a posse. Se postam com ela em um bloco médio, pouca amplitude e com muita calma, induzindo o adversário ao erro. Explorar laterais que saem para "quebrar" a jogada logo no meio ou passes em profundidade para o Cavani são a sustentação maior desse ataque.


Utilizando de base um 4 3 1 2, a equipe da Bombonera tem como ideia base trabalhar a bola com muita paciência dentro do meio campo, geralmente passes bem curtos e um espaçamento de quase nenhuma amplitude. A ideia disso é atrair os volantes e os laterais para o combate nessa zona, abrindo um bom espaço para que Miguel Merentiel explore as trechos desocupados.


O camisa 16 circula livremente entre os volantes e os zagueiros, esperando um vacilo pelo meio ou uma passagem pelas alas do campo. Quando esse espaço nas costas do lateral é obtido, o atacante toma sua decisão de acordo com a movimentação de Edinson Cavani. Se o camisa 10 puxa a marcação para si mesmo, Merentiel tem diagonal para o chute; Se Cavani se move ao meio da área, Merentiel busca a linha de fundo e ou cruza no centroavante ex-seleção uruguaia ou em um "atacante surpresa", que aparece pela segunda trave; Esse atleta geralmente é Luís Advincula.


Cavani é um cara muito menos participativo na construção, algo entendível devido a alta idade e por poucas vezes ter feito função criativa na carreira. Seus movimentos, falando de uma forma bem reduzida é claro, são: Fazer parede para quem vem pelas laterais, ir para área fazer corta-luz ou cabecear a bola, movimentos de ruptura entre o meio dos dois zagueiros, buscando ganhar vantagem em passes longos para finalizar as jogadas em 1x1 com o goleiro.


Explorar os flancos é o grande trunfo dessa equipe, tendo laterais excelentes nisso, o time cria uma espécie de "triangulo de um dois" entre a zona intermediaria e as alas do campo. Quando esse tipo de construção é feita pelo lado esquerdo, forma-se o trio: Blanco, Pol Fernandéz e Zenón. Quando feito do lado oposto, Zenón se mantém como uma peça fixa, só que agora ele recebe auxilio de Saralegui e Advincula. Necessariamente, esses dois volantes "lateralizados" precisam ter um passe em profundidade apurado para que as coisas funcionem.


O grande "pulo do gato" é quase o mesmo das jogadas focadas em Merentiel: Cria-se uma pressão em um lado especifico, deixa o adversário descoberto e em desvantagem numérica, mas ao invés de achar um meia-atacante flutuando livre em diagonal, você espeta a bola para um ala ganhar na força física e velocidade, conduzir até a linha de fundo e cruzar rasteiro no primeiro pau ou na direção do meio da área, sempre com um ou dois finalizadores aproveitando o "descampado" na troca de passes.


Em vias de regra, os ataques do Boca só ganham velocidade quando a bola está no terço final do campo, a explosão física é o maior trunfo dessa equipe. Toda vez que a equipe tem êxito em alongar um passe, cada jogador chega em seu "ponto de conclusão" com uma velocidade impressionante, gerando sempre um perigo em cada chegada e aproveitando bem as construções do pesado, contudo, habilidoso meio-campo.


A bola aérea dos xenezies funciona de uma maneira "simples": Alguém fica na ponta da grande área, faz um cruzamento bem aberto buscando um jogador alto na segunda trave, esse atleta cabeceia para o meio onde alguém chega finalizando. Quando se trata de escanteios a jogada é quase a mesma, com a diferença que o cruzamento vem mais aberto e o jogador da segunda trave não fica tão próximo a baliza. Zenón é um atleta que se destaca nesse tipo de lance, geralmente aproveita os espaços abertos por Merentiel e se posiciona para cruzamentos.


Na fase defensiva, a equipe posta Cavani e Zenón na intermediaria, sem que os dois façam muita pressão e sirvam apenas de ancora para contra-ataque. Merentiel, talvez o jogador que mais corra na equipe, tem a missão "ingrata" de marcar o portador da bola e fazer pressão pelo desarme enquanto os companheiros que restam ficam bem compactados e atrás da linha da bola. Quando os roubos de bola são bem sucedidos, é comum o Boca se encontrar em situação de 3x2 em direção a área adversária, uma vez que 8 dos 10 atletas de linha adversários estarão no campo ofensivo. É ai que o uruguaio da camisa 16 conduz a posse e os outros dois jogadores de contra golpe abrem pelas laterais, virando opções de passe.


Os pontos fracos que podem ser explorados são:


  • Blanco tem dificuldade em cobrir as costas, então um ataque iniciado pelo lado esquerdo pode ser um problema.

  • Os volantes tem uma recomposição mais lenta caso precisem subir ao ataque, então povoar com atletas velozes as lacunas deixadas pelos mesmos é um movimento inteligente.

  • Posicionar um homem de bola aérea (Kayzer ou Lucero), no espaço entre Rojo e Blanco é interessante, uma vez que o primeiro gol do River Plate saiu por ali.

  • Explorar espaços entre Ezequiel Fernandéz e Blanco é uma alternativa perspicaz, além de forçar um cabeceio nas costas do camisa 21 em situações de escanteio.


Variação:


Figal pode entrar no lugar de Fernandez, mas o esqueleto e as ideias do time permanecem intactas.




O que fazer sendo o Fortaleza?


Existem duas formas de "anestesiar" o Boca: Tendo a bola ou sendo ainda mais físico.


O Fortaleza de 2024 não possui organização e nem volume suficiente para jogar com a posse, mesmo em casa, a falta de "costume" com esse estilo e é obivio, ausências como Calebe fazem esse tipo de postura ser quase inviável nesse jogo. Com isso, resta a segunda opção, que é uma coisa na qual o clube já faz e ao meu ver, com um bom nível de excelência.


Indo quase de peça por peça, Dudu, na visão desse que vos escreve, é a melhor opção; Pois entre ele, Tinga e Pikachu, ele é o mais equilibrado defensivamente quando atua em linha de 5 e explora melhor a linha de fundo do que as outras duas opções. Pacheco além de a única opção pela esquerda, é um excelente jogador de defesa e junto de Dudu, tem que jogar afundados na linha de defesa, esperando o adversário e não saindo para combate.


Confrontos de Blanco vs Dudu e Advincula vs Bruno Pacheco são esperados e a chave para vence-los é não dar campo para os laterais "que hablam" correrem e nem deixar chegar na linha de fundo.


Kusevic e Cardona entrariam preferencialmente pela excelente bola aérea, tanto defensiva quanto ofensiva. Além disso, o chileno iria marcar colado Cavani, impedindo com que ele conseguisse romper o espaço entre ele e Britez ou ele e Cardona, com o último citado tendo a ingrata missão de defender cruzamentos em direção a segunda trave, além de obviamente ajudar a marcar os cabeceios do temido uruguaio ex-PSG.


Zé Welison e Hercules teriam como missão encurtar o espaço entre eles e zaga e impedir que Merentiel e Zenón flutuem com liberdade, assim dificultando as infiltrações do atacante e tentando ao máximo evitar que o meia argentino alce bolas na área. Na fase ofensiva, Hercules subiria com a bola ajudando na construção enquanto Zé Welison tentaria alongar o passe para Machuca e Lucero vencerem na corrida.


Tomás Pochettino executaria a função de "marcador da bola", percorrendo o campo todo em busca de desarmar quem estivesse com a posse e ajudando a povoar todos os setores do campo. Na fase ofensiva, seria o "Zenón" tricolor, se posicionando para achar um bom cruzamento e alongando o campo para Machuca, Hercules e os alas subindo ao ataque.


No comando de ataque, diferente dos adversários, Machuca e Lucero morderiam o inicio das jogadas do Boca, ainda mais com os adversários tendo de subir suas linhas para trabalharem com mais calma. Na fase ofensiva, Lucero exploraria as falhas defensivas encontradas pelo lado esquerdo enquanto Machuca tentaria desmontar Advincula e Lema com dribles ou buscar o cruzamento para o companheiro.


Saber explorar essas falhas, não dar campo ao Boca e definir o jogo de maneira veloz são as chaves para o Fortaleza sair com o resultado positivo. Montar um time físico, raçudo e muito compacto, além de obvio, diminuir o espaço para arrancadas dos adversários, são os caminhos "ideais" para ser competitivo.


Obvio que o tricolor tem a opção de ser propositivo, mas além de ter um time que não rende dessa forma, está enfrentando o maior colosso do futebol sul-americano, com o "plus" de ser extremamente bem treinado. Além do respeito, a cautela e a humildade para reconhecer as suas limitações é o "mapa da mina" para um grande jogo.


Números de Vojvoda contra o Boca:


  • 4 jogos

  • 2 Derrotas

  • Um empate

  • Uma vitória

  • 3 gols feitos

  • 6 sofridos

  • 33,3% de aproveitamento

  • 1,5 gol sofrido por jogo

  • 0,75 gol marcado por jogo


*As opiniões aqui emitidas, são de total responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem a opinião do Dimensão Esportiva.

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