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OPINIÃO: Tem certeza de que não há mais Copa pra você, Marta?

Desabafo da atacante brasileira me faz pensar que ainda existe, não só pra ela, como também para o nosso elenco num todo, Copa do Mundo e uma nova oportunidade de brilhar como sempre brilharam.


(Foto: Mateus Bonomi / AGIF)

Há 32 anos, a FIFA organizava seu primeiro Mundial de Futebol Feminino, sediado pela China, e faltavam apenas oito anos para que uma alagoana do interior do estado, de nome e sobrenome Marta Vieira da Silva, tivesse sua primeira oportunidade no futebol da capital, Maceió, vestindo a camisa do CSA. Naquele mesmo 1999, realizava-se a terceira edição da Copa do Mundo, e as brasileiras comandadas em campo pela artilheira Sissi, sem o apoio que se vê atualmente para a categoria, caíram de pé para os EUA e derrotaram a Noruega na disputa do terceiro lugar. No ano seguinte, Marta alça um voo mais alto em direção ao Rio de Janeiro, para a equipe do Vasco da Gama, passando por Minas Gerais e se encaminhando para a Europa pouco depois, onde tornou seu futebol ainda mais conhecido e passou a ter a dimensão que possui atualmente. Bicampeã panamericana, prata duas vezes em Jogos Olímpicos, ao lado de nomes como Cristiane e Formiga, Marta teve um protagonismo na campanha que superou 1999 e foi vice-campeã do mundo, em uma nova edição de Copa disputada na China, e que trouxe aquele inesquecível gol na também inesquecível goleada sobre 4x0 sobre as estadunidenses na semifinal. Vocês acreditam que com pouquíssimo apoio em 2007 chegamos na final contra a Alemanha tendo vencido os seis jogos antes da decisão? Imaginem se tivéssemos o incentivo que vem sendo dado hoje e tende a crescer cada vez mais, seríamos uma potência entre os nossos adversários de maior expressão no cenário internacional.


Além de tudo isso que citei, não posso deixar de citar também suas premiações como Melhor do Mundo pela FIFA por seis vezes, e sua marca de dezessete gols em mundiais, citando o feminino e o masculino. Fora o período em que ela esteve aqui no Brasil, desencantou com a camisa do Santos Futebol Clube, levantando uma Libertadores pelo time da Vila Belmiro.


A manhã dessa quarta-feira (02) nos surpreendeu com o baque sofrido pelas meninas do Brasil diante de um empate sem gols contra a seleção da Jamaica, na última rodada da fase de grupos, da Copa do Mundo disputada na Austrália e na Nova Zelândia. Sim, é evidente que pegamos um grupo complicado, com uma favorita França no meio do caminho, porém, além do velho mantra do futebol ser uma 'caixinha de surpresas', infelizmente não tivemos sorte em construir um placar favorável diante das francesas no último sábado (29). Com alterações inexplicáveis, um primeiro tempo apático, uma segunda etapa melhor, mas, golpeada por uma bola parada da nossa antagonista Renard, novamente no caminho das canarinhas, assim como em 2019.


Depois de um início empolgante com uma vitória sobre o Panamá, saco de pancadas do grupo F, e da derrota para a França na segunda rodada, o jogo desta quarta era "tudo ou nada" para sobrevivência brasileira e avanço às oitavas de final para encarar Colômbia, Alemanha, ou até mesmo Marrocos, tendo em vista uma possível vitória da Coreia do Sul contra as alemãs no jogo de amanhã, que pode alterar a liderança do grupo H. O zero a zero com as jamaicanas foi amargo como uma derrota, porém, não podemos deixar de tirar os méritos dessa equipe, que também foi capaz de segurar a líder do grupo na estreia, e com poucos recursos, assim como nossa seleção lá atrás, avança para as oitavas para encarar uma das três seleções citadas acima, que disputam a primeira vaga da última chave do Mundial. Infelizmente perdemos jogadas importantes, Pia Sundhage fez alterações às quais quem acompanhou o jogo não entendeu o motivo delas serem feitas no momento em que mais se precisava de um ataque brasileiro propondo criatividade e ousadia, assim como vimos contra as panamenhas e em parte do segundo tempo contra a França.


Na minha visão, foi um erro ter mantido Marta de fora em momentos relevantes como no segundo jogo e colocá-la em campo apenas na segunda etapa, e aos 40 minutos, quando já perdíamos por 2 a 1, e tê-la colocado em campo entre as onze iniciais na partida de hoje, foi de um evidente desespero em correr atrás do prejuízo criado no duelo de sábado, chegaríamos nas oitavas com nossa estrela em desgaste físico para enfrentar quem quer que fosse.


Ao final do jogo, Marta fez o seguinte desabafo em entrevista pós-jogo na transmissão da Cazé TV: "Acho que sou a única velha do elenco, a maioria são meninas de muito talento e caminho pela frente. Eu termino aqui, e elas continuam! A renovação pedida por vocês está começando. Não tem mais Copa para mim." Ouvindo esta declaração, passei a acreditar o contrário sobre parte do que Marta falou a respeito de si nessa entrevista. Apesar dos 37 anos, uma idade considerada por muitos como avançada para ainda jogar futebol e da grande história já construída nos gramados do mundo inteiro, não acredito que essa história possa parar num desfecho triste e tão inesperado como esse, a eliminação precoce na fase de grupos do Mundial. Faço uma comparação que pra muitos pode ser "sem lógica", porém, comparo Marta ao craque argentino Lionel Messi, e sua aguerrida persistência por acrescentar um título de campeão do mundo à sua imensa galeria de conquistas. Com 35 anos, o atacante precisou ir para uma quinta edição de Copa para coroar sua vitoriosa carreira, e obter apenas o segundo título pela seleção. Então, eu acredito que em 2027, talvez até aqui no Brasil, possa surgir a chance de escrever um final feliz nessa imensa carreira de uma das maiores jogadoras da história do futebol mundial.

Finalizando, pois já falei mais do que deveria, posso dizer que caso ela não esteja dentro de campo, acredito que exista a possibilidade de sua liderança e legado seguir ecoando entre as meninas que lá estiverem neste novo ciclo para a próxima Copa do Mundo, sendo assim, ainda existe Copa do Mundo pra você, Marta. Pois é evidente o quanto ela tem o dom de motivar suas companheiras e sobretudo, impactar brasileiros e brasileiras com suas declarações.


Companheiras como Ary Borges, Debinha, Letícia, Tamires, jogadoras de um ou dois mundiais, é mais do que nunca, a hora de seguir trabalhando para construir um legado ainda mais positivo para aquelas que sonham crescer e se tornar uma dentre as 23 que representam nosso país lá fora. E claro, termino pedindo também para que cresça o apoio e o investimento da CBF na categoria, para que possamos chegar com condições reais de encarar potências como Estados Unidos, Holanda, e quem mais vier pela frente, pois já mostramos nosso valor, e Marta, Formiga, Cristiane, Sissi, além de várias outras pioneiras do futebol feminino brasileiro, merecem testemunhar um final feliz para as meninas do Brasil numa Copa do Mundo. Existe Copa para Marta, e para todas aquelas que estiveram nessa jornada de aprendizado. Que 2027 seja diferente para nós!

*As opiniões aqui emitidas são de total responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem a opinião do Dimensão Esportiva.

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