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OPINIÃO: Porque é quase impossível que Lamar Jackson consiga um contrato 100% garantido


Foto: Reprodução/CBS Sports.


Antes da temporada 2022, os Browns fizeram uma troca gigantesca com os Texans para adquirir o QB Deshaun Watson, mandando 3 escolhas de 1ª rodada, 1 escolha de 2ª rodada e 1 escolha de 3ª rodada para Houston por ele. O que chamou mais atenção nisso tudo, porém, acabou sendo o contrato que os Browns deram a seu novo QB: $230 milhões 100% garantidos por 5 anos de seus serviços. Ao fazer isso, o time de Cleveland estabeleceu o recorde de maior valor garantido na história da NFL!


Os jogadores devem ter visto esse contrato como um possível precedente, fazendo com que uma era de contratos 100% garantidos finalmente chegasse na NFL, e viram seus olhos brilhar com o símbolo de $. Parece que faria muito sentido que mais jogadores e mais empresários pedissem contratos 100% garantidos, mas até o momento, não só não tivemos nenhum outro contrato desse tipo, como o único jogador que se tem noticiado com esse tipo de exigência é Lamar Jackson. Isso porque dar um contrato 100% garantido parece fazer sentido somente para o jogador, mas não para a franquia.


O primeiro motivo é o salary cap. Diferente da NBA, por exemplo, que tem diversos mecanismos para que um time ultrapasse o salary cap, na NFL os times não podem ficar acima dele sob nenhuma circunstância. Isso faz com que os times tenham que ser muito mais inteligentes e estratégicos ao contratar, demitir, trocar e dar contratos aos seus jogadores e um contrato 100% garantido tira muito da flexibilidade da franquia caso haja a necessidade de reestruturar um contrato (e acredite, essa necessidade vai aparecer).


O segundo motivo é que o contrato de Deshaun Watson não foi um precedente, mas sim uma exceção. Quando esses números foram anunciados, as reações na liga foram diversas, enquanto fãs e membros da imprensa ficaram impressionados com os valores, jogadores tiveram símbolos de $ aparecendo em seus olhos, empresários de jogadores e donos das franquias estapearam a própria testa.


Vamos começar pelos empresários. Eles sabem que é praticamente impossível conseguir contratos 100% garantidos para seus clientes, primeiro porque a grande maioria dos jogadores não vale o risco para os times e segundo porque as franquias não querem esse tipo de contrato.


Falando sobre os donos agora. Eles sabem que agora o contrato dos Browns com Watson vai ser usado como argumento/exemplo em renegociações, tornando tudo mais difícil para eles. Segundo é a própria questão do dinheiro. Quando um contrato é firmado, o valor garantido tem que ser depositado numa conta da NFL e esse dinheiro não pode ser movido, ou seja, o dono não precisa só ter muito dinheiro, ele também precisa ter liquidez para poder fazer esse depósito.


O lado dos donos e do negócio da NFL em si é complexo, não à toa os times têm equipes enormes em seus front offices para calcular impactos em salary cap durante negociações e renovações anos à frente, tentando prever como isso impactará na organização como um todo. Empresários entendem esse lado e fazem o meio campo entre as organizações e seus clientes, os jogadores. Um bom empresário sabe que precisa agradar seu cliente sem queimar sua relação com as franquias.


E aí vem um ponto importante na história de Lamar: ele não tem empresário, as negociações têm sido conduzidas por ele próprio e por sua mãe. E sua falta de experiência como negociador de contratos já lhe custou dinheiro (e muito).


Nenhum empresário decente teria deixado o QB jogar a temporada 2021 por apenas $1,7 milhão logo depois dele ter sido MVP como aconteceu, mas teria forçado a negociação de um novo contrato ou ele não pisaria mais em campo com a camisa dos Ravens. Por mais que ele tivesse fechado um contrato com os valores de 2021, ele poderia ter assinado um contrato que lhe pagasse $38 milhões por ano, por exemplo, mais que a tag não exclusiva que ele recebeu nessa semana, que tem um valor de pouco mais de $32 milhões.


Falando sobre a tag não exclusiva, é importante explicar porque muitos times não querem se submeter a negociar com um jogador que a recebeu e porque os Ravens ganharam força nas negociações com ela. Essa tag funciona da seguinte forma: o jogador fica preso a seu time, mas tem a abertura de para falar com outros times e negociar um contrato melhor com qualquer outro time, feito isso, esse time notifica a liga e a liga notifica o time original, nesse caso, os Ravens.


Aí vêm os maiores problemas para um time negociar com esse atleta: primeiro, se um time fizer uma oferta, ela se torna pública e os Ravens têm 5 dias úteis para igualá-la, enquanto isso, o valor da oferta fica travada no salary cap do time que fez a oferta e como eles só podem negociar oficialmente a partir do dia 15 de março (todos sabemos que essa data limite é só para inglês ver, mas enfim), esse time pode se privar de um alto valor para negociar com os maiores free agents; segundo é o impacto que isso tem em seu elenco, na offseason passada, por exemplo, quando foi noticiado que Falcons e Browns estavam negociando para trazer Deshaun Watson, isso imediatamente causou conflitos com seus então QBs titulares, Matt Ryan e Baker Mayfield, respectivamente, e isso resultou em ambos pedindo para serem trocados.


Dessa forma, ao aplicar a tag em Lamar, os Ravens deixaram que ele vá ao mercado para ele tentar entender seu real valor de mercado. Ele entende que esse valor seja de pelo menos $230 milhões garantidos por 5 anos, mas pelo que foi relatado, os Ravens acreditam que esse valor seja de no máximo $230 milhões, com $160 milhões garantidos e ao deixa-lo entrar em contato com outras equipes, 2 coisas podem acontecer: 1, ele pode perceber que ninguém acha que ele valha isso ou 2, alguém pode achar que ele valha tudo isso, mas aí esse outro time vai ter feito o trabalho pesado pelos Ravens, que podem simplesmente igualar a oferta e ficar com o contrato de Lamar Jackson de qualquer forma.


Em caso da 2ª opção, o outro time fica com cara de trouxa por ter feito a parte mais difícil pelos Ravens e ainda darão aos Ravens, atualmente acima do salary cap, tempo para se reestruturar e mexer em seu elenco para comportar esse contrato gigante se for o caso (além de potencialmente perder tempo de free agency com o salário de Lamar travando seu cap).


E aí vem mais um porém (um bem grande), poucos times têm o espaço salarial nesse momento para dar $100 milhões para Lamar Jackson nos 2 próximos anos (eles precisam ter pouco mais de $110 milhões de salary cap somado em 2023 e 2023). Esses times são: Bears, Colts, Falcons, Raiders e Texans. Nesse momento, os Bears parecem fora do mercado de QBs ao seguir com Justin Fields, para Colts e Texans, times que anda estão em rebuilding e parecem inclinados a draftar um jogador da posição esse ano, e para Falcons e Raiders, o preço parece alto demais e eles mesmo já se colocaram fora da briga quando se pronunciaram fora da briga por Lamar (não que essa palavra valha muito).


Claro que algum outro time poderia surgir com uma solução criativa para abrir esse espaço no cap para acomodar o enorme contrato que ele deseja, mas esse time precisaria abrir espaço no seu salary cap e ainda ter uma escolha de 1ª rodada em 2023 e uma em 2024 para poder concretizar a troca obrigatória com os Ravens.


Assim, não parece provável que uma troca aconteça antes do draft, pois nenhum time que precisa de um QB vai querer abrir mão de uma escolha top 10 nesse draft e uma oportunidade de ter um jovem QB de grande potencial bem barato pelos próximos 5 anos por um Lamar Jackson caríssimo que trava seu salary cap por um bom tempo e os Ravens, se trocarem Jackson, provavelmente desejariam uma escolha alta para poder draftar seu QB do futuro.


A dura verdade é que o mercado de Lamar Jackson, nesse momento, é extremamente limitado. Mesmo que ele jogue sob a tag em 2023 esperando ganhar uma bolada na offseason seguinte, a situação não tende a melhorar muito para ele nesse sentido, afinal, os Ravens podem simplesmente colocar outra tag nele em 2024. Se ele forçar uma situação em que ele não se apresente nessa temporada e não entre em campo em 2023, novamente ele perde força, possivelmente piorando sua imagem aos olhos dos outros clubes.


No cenário atual e da forma com que tudo tem se desenhado, a não ser que os Ravens queiram trocá-lo, é altamente improvável que um outro time faça uma proposta que os Ravens não igualem (e essa proposta não deverá ser nos moldes que ele deseja) e se ele for mesmo trocado, será para se livrar da situação em Baltimore, em que ele sai quase como um desesperado. E como um vilão. A verdade é que Lamar Jackson conduziu toda essa situação muito mal, ele apostou nele mesmo e perdeu. Feio.


PS: Lamar, se você estiver lendo esse texto, por favor, arranje um empresário. É para o seu próprio bem.

PS2: Ouvi dizer que o do Daniel Jones e o do Kirk Cousins são bons...



*As opiniões aqui emitidas são de total responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem a opinião do Dimensão Esportiva.




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