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OPINIÃO: O Camisa 10 não existe mais


Reprodução: @kashimaantlers


O futebol é um esporte mais romantizado do que deveria e dentro desse mundo ideal do espectador médio uma figura é sempre muito relembrada, o tal do "camisa 10". O número imortalizado por Pelé, que no fim das contas, ganhou fama por outros craques dos anos 80.


O tal "10" idealizado pelo fã comum de futebol é aquele meia iluminado, ligado no 220v, onde todas as jogadas passam por ele, onde ele é o pilar principal de um time, o cara capaz de definir uma partida. Para infelicidade dessas pessoas, esse jogador é raríssimo.


Talvez "não existir" seja demais, uma hipérbole, porém, a raridade com que esse cara aparece no futebol é enorme, e os poucos jogadores desse perfil se concentram em uma elite restrita de clubes. Xavi, Iniesta, Zidane, Messi, De Bruyne, todos nomes que são sempre exceção, não regra.


Com um jogo cada vez mais lateralizado, seja ele pelas formações com três homens de frente ou pelas formações com três zagueiros, que implica muitas vezes no uso de alas, o futebol se torna cada vez mais independente do meia centralizador de posse e dá cada vez mais espaço pro "meia de último toque".


No Brasil temos exemplos claros disso. Raphael Veiga muitas vezes só tem o domínio da bola no terço final do campo, mesmo assim é um dos melhores meias da América do Sul, colecionando gols e distribuindo uma boa quantidade de assistências, sem monopolizar a bola em seu pé.


Vina, ex-Ceará, colecionou jogos apagados que foram mascarados por passes ou gols espetaculares advindos de poucos toques na bola. O mesmo pode ser aplicado a Giorgian De Arrascaeta, Renato Augusto, Ozil, Phillipe Coutinho e mais uma dezena de meias bem vistos.


A grande verdade é que muito desse sentimento de "falta o camisa 10" vem muito de torcedores que não entendem a modernização do jogo ou de times que não têm peças boas o suficiente e são dependentes de ""salvadores da pátria".


O camisa 10 estrela e rosto do time nasceu, floresceu e morreu no futebol oitentista. Nomes como Zico, Socrátes, Platini, Maradona são frutos de um futebol que teve seu apogeu há 40 anos e que hoje não funcionaria da mesma forma, já que as exigências táticas e físicas são outras.


Nos anos 90, com uma maior utilização do 4-4-2, esse camisa 10 teve sua função ocupada pelos meias abertos e pelos segundos atacantes. Os meias abertos eram aqueles caras dribladores, inteligentes, geralmente buscavam a linha de fundo e o cruzamento na cabeça do centroavante.


O segundo atacante por sua vez também era um cara de drible e arranque, mas com mais foco em jogar do último terço para grande área e sempre buscando um 1x1 contra o goleiro ou a assistência para o parceiro de ataque.


É obvio que nem todos os times eram obrigados a jogar em 4-4-2, apenas que esse foi o sistema dominante da época. Também não foi proibida a existência de camisas 10, porém, esses menos utilizados e mais "vagalumes", aparecendo em momentos decisivos, como foram Alex, Riquelme e Ortega.


No futebol contemporâneo obtivemos o auge da coletividade, principalmente após o fim da era Messi/CR7. Times que trocam mais passes, que todo o 11 é "estrelado" e que os números individuais são repartidos quase que igualmente.


O resultado disso é mostrado quase que a prova na bola de ouro de 2021, onde os atuais campeões dos grandes torneios não tinham nenhum grande destaque individual para ser premiado, e a bola de ouro foi para a "bola de segurança".


Outro fator que mudou a funcionalidade do futebol é que como o meio campo é muito mais coletivo, o 10 ficou "inutilizado", sendo preferível um "5" regista como: Busquets, Pirlo, Xabi Alonso, e um 8 mais estático e passador, como: Seedorf, Kroos, Modric, Bruno Fernandes, Gundogan entre outros.


No final das contas, o 10 deixou de existir porque o futebol quis que ele deixasse de existir e hoje muitos times independem de um cara centralizador. Aqueles que discordam, são apenas saudosistas querendo romantizar um passado ou arranjando desculpas para os fracassos de seu time.


Se hoje até goleiro e zagueiro são peças cruciais na criação de jogo, qual seria a necessidade de um jogador desse tipo? Saciar os desejos caturras de pessoas que não entendem que o jogo atual não necessita desse tipo de peça?


Tudo na vida é evolução, o futebol entra nisso. Os grandes craques do passado não vão voltar, e se falta algo no seu time, com toda a certeza não é um jogador que hoje deve ter seus 60 anos monopolizando a bola o tempo todo.


O jogo sobrevive sem o "10", se é melhor ou não é opinião pessoal, porém, esse tipo de atleta virou uma espécie em extinção, não porque o grande público quis, mas sim porque o futebol quis assim.


A culpa jamais será de um jogador que nem ao menos existe. A culpa é de treinador que não sabe escalar, jogadores que deixam de fazer sua parte e de diretores que não sabem gerir o clube, nunca, e repito, nunca será culpa de um jogador que é raro e nem todos os clubes tem condição de mantê-lo e nem todos os sistemas o cabem.


Para não alongar demais, uma simples demonstração de "afeto" ao jogo: VIDA LONGA AO FUTEBOL MODERNO!



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