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Opinião: Nunca será um adeus, Guarasol


Reprodução: guaranydesobral.com

Uma grave crise obrigou um dos clubes mais tradicionais do futebol cearense a paralisar suas atividades. O Guarany de Sobral anunciou o encerramento por tempo indeterminado de suas atividades devido a graves problemas financeiros.


O repasse do principal apoiador do clube foi bloqueado pela justiça, o que inviabilizou o pagamento de salários a atletas e funcionários, forçando o time a encerrar suas atividades e automaticamente ser eliminado do Cearense Sub20 e da Taça Fares Lopes.


A atitude pode render ao bugre uma suspensão de dois anos das atividades profissionais, além de deixarem desempregados jovens jogadores e os colaboradores do clube, que serão os mais afetados por essa manobra.


Se sustentar como um time nordestino já é algo muito difícil, avalie sendo um time do interior do Nordeste, mas, mesmo com todas as dificuldades, os tradicionais clubes do estado do Ceará se mantinham firmes, com apoio de comerciantes locais, torcedores e do poderio estatal.


Estado esse que, ano após ano diminui sua atenção para os times menores, que são mais necessitados, menos elitizados e mais acessíveis ao torcedor, para focar em distribuir dinheiro para os grandes clubes das capitais, buscando apenas "promoção".


Com valores irrisórios para o governo do Estado e para a Prefeitura de Sobral, deveria ser olhada com muito carinho uma ajuda de custos para um time que é parte cultural e instrumento de lazer dos sobralenses, pois além de manter vivo um patrimônio imaterial da cidade, influenciaria na geração de empregos direta e indiretamente.


Um time que é o primeiro campeão nacional do estado, teve nomes como Vantuir, Clodoaldo, Valdir Papel e Jefferson, foi o primeiro clube do interior a fazer um primeiro turno de cearense invicto, um dos times mais chatos de se enfrentar na década de 1970, hoje é apenas uma lembrança, e o descaso tanto de diretores, mas também de outras frentes, como o poder público, interrompeu essa memoria.


Os sobralenses, que no Estádio do Junco, faziam uma festa enorme na arquibancada, e uma pressão gigantesca nos clubes da capital, que geralmente escorregavam quando viam o cacique do vale, hoje estão sem um time para torcer.


O Governo do Estado, que presenteou os também tradicionais Guarani de Juazeiro e Icasa com uma moderníssima Arena Romeirão, negligenciou o tão importante quanto Guarasol, que não precisava de estádio, apenas uma ajuda para se manter vivo.


Diferente de equipes como Horizonte, Iguatu e Barbalha, onde a prefeitura, junto com empresários locais, dão todo o suporte e apoio necessário, pois entendem o tamanho da importância de um clube local em várias esferas da sociedade, desde o lazer ao desenvolvimento de jovens por meio das categorias de base, passando é claro pelo impulsionamento do comércio dentro da cidade.


O time que fez jogo duro contra o Ferroviário nas finais de 1970, que quase eliminou o Fortaleza em 2010, que foi o primeiro a vencer um título de cunho nacional no Ceará, hoje é um grande poço de memorias, que não serão apagadas, mas que se desgastaram com o tempo, por inércia alheia.


Aqueles que viram o time se deteriorar até chegar ao seu fim, um dia chorarão, mas não ligaram ao ver o que foi construído durante mais de 80 anos ir se acabando, pouco a pouco, lentamente, enquanto aqueles que podiam ajudar ficaram estáticos, imóveis, com "cara de paisagem".


Será triste ver as competições cearenses sem aquele tradicional time por lá, mas, apesar de tudo, temos a esperança que um dia ele voltará a dar trabalho para os times da capital, e temos uma única certeza: Nunca será um adeus, Guarasol!

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