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OPINIÃO: Memórias póstumas da seleção canarinho

Atualizado: 5 de ago. de 2023


Reprodução: @selecaofemininadefutebol


Que o Brasil passou vergonha em mais uma competição, todos nós sabemos. Agora, ter sido eliminado de maneira vexatória na Copa do Mundo Masculina, na Copa do Mundo Sub-20 e na Copa do Mundo Feminina, tudo em uma sequência de 8 meses, é motivo suficiente para analisarmos o rumo do nosso esporte.


Desde 2002, o Brasil acumula alguns péssimos resultados em Copas do Mundo, e salvo algumas exceções como o bi-olímpico, demonstra ser um time sem personalidade e com conflito de ideias, se segurando muito na figura de um único jogador e tendo dificuldade de fazer frente a seleções medianas da Europa.


A Copa de 2006 para mim é o maior reflexo do que a seleção brasileira, em todas as suas instâncias, se transformou: Uma bagunça incrivelmente talentosa. O time de 2006 era muito bom no papel, mas muito inconstante, preguiçoso, sem repertório, fora de forma, farrista, e quase sem nenhuma identificação com o torcedor.


Com muitos atletas nos grandes centros europeus, apenas alguns poucos nomes como Cafu, Lúcio, Zé Roberto, Adriano e Ronaldo tendo algum "espelho" como o torcedor. Seja por sua simplicidade ou história com clubes brasileiros. Os outros, em sua maioria, eram distantes do público, trilhando uma carreira quase que completa no velho continente, gerando atrito com a mídia, e andando em muitas festas, eram distantes do público comum.


Resultado disso tudo? Eliminação mais que merecida contra uma extremamente bem treinada, identificada porém, em final de ciclo, seleção francesa. A solução? Buscar trazer algo que já deu certo no passado. Jovem treinador arrojado e promissor no cargo de técnico? Não. Treinador linha-dura mas paizão, vencedor e com boa solidez defensiva? Também não. A resposta foi trazer o capitão do penúltimo titulo, para dirigir seu primeiro trabalho na carreira, junto de um também inexperiente auxiliar tetracampeão.


O estilo general de Dunga aliado ao bom sistema defensivo de Jorginho gerou uma seleção que ganhava mas não encantava. Junto a isso, a paixão por jogadores de mercados "aleatórios" como Afonso Alves, Vágner Love e Fernando Menegazzo ou convocações de atletas de nível questionável, com o único intuito de ganhar apoio do torcedor médio, como nas convocações de Doni, Nilmar, Morais e Jonatas, geraram uma seleção "frankstein" que não passava confiança.


Na lista final, diversos craques como Adriano, Diego, Ronaldinho, Marcelo e os jovens Neymar e Ganso ficaram de fora para jogadores que nem Dunga gostava, e mantinha só por querer manter sua imagem de comandante linha-dura. Por isso, fomos a uma Copa com Gilberto Melo com idade avançada, Michel Bastos improvisado, Julio Baptista e Kleberson fora de seus auges e os inexplicáveis Grafite e Nilmar.


Resultado da nova empreitada? Uma eliminação evitável se Dunga tivesse jogadores confiáveis no banco, já que Kaká, o maior craque da seleção estava lesionado e Elano ficou fora da copa no segundo jogo.


Depois de um desfecho triste com uma sólida "Era Dunga" apostaram no badalado Mano Menezes, que havia feito uma histórica campanha com o 15 de Novembro, batido final de libertadores com o Grêmio e sido campeão da Série B e da Copa do Brasil com o Corinthians.


Mano era o segundo nome, já que Muricy Ramalho declinou a proposta após não obter controle total sobre os 23 convocados. Com sua lista passando por revisões de patrocinadores e com uma safra não tão brilhante, Mano Menezes fez um trabalho razoável e caiu por uma prata nas olimpíadas, sendo derrotado por uma excelente seleção mexicana.


Para o seu lugar, mais uma ideia digna de organizações tabajara, e não, eles não convocaram a Vaca, mas trouxeram em má fase, após um trabalho pífio no Palmeiras, o treinador do penta, Luiz Felipe Scolari.


Com a promessa da reedição da família Scolari, Felipão montou uma seleção sem sistema defensivo, com um ataque afuncional, utilizando Neymar e Oscar de pilares o tempo inteiro e que como maior resultado, obteve uma ilusória goleada em cima da Espanha, na Copa das Confederações de 2013.


Quando o "caldo entornou" o Brasil fez uma Copa ok, mas com atuações ridículas contra Chile e México, até que enfrentou a poderosa e organizada Alemanha, e o resto, bem o resto vocês já sabem.


Após a maior humilhação de sua história e o susto de quase ver a maior rival ser campeã dentro do Maracanã, Dedé, Didi, Zacarias e Mussum, quer dizer, CBF teve mais uma brilhante ideia: Que tal trazermos o Dunga de volta?


Se na primeira vez quem sugeriu a contratação de Dunga foi uma atriz, na segunda só pode ter sido um membro do Zorra Total. Não preciso me estender muito para falar que a segunda passagem de Dunga foi um completo fiasco.


Sem Jorginho para dar sustentabilidade defensiva, sem saber garimpar a safra, usando de base o elenco do 7x1 e mantendo os mesmos problemas que o fizeram cair em 2010, Dunga colecionou jogos horríveis e duas eliminações vexatórias em Copa América.


Após mais uma escolha altamente questionável, a CBF acertou em um técnico, Tite era o escolhido para levar a seleção de volta às glorias.


Com um esquema que lembrava bastante a seleção de 1982 com a bola no pé, e tinha um sistema defensivo sólido e compacto como a seleção de 1994, Tite devolveu ao Brasil não só o orgulho, mas a esperança de titulo e o futebol bonito e bem jogado que gostamos de ver.


Tudo ia bem até um empate sem gols com a mediana Inglaterra, nos amistoso pré-copa. A partir desse ponto, Tite jogou tudo o que fazia a seleção dele um time especial no lixo, por covardia e medo de um único resultado.


Após esse empate, o 4-1-2-3 que era a marca registrada dessa seleção, virou um 4-3-3 engessado, ruim de se ver em campo e que limitava as qualidades individuais de nossos atletas.


Resultado? O time deixou de encantar, caiu para a geração belga que muito provavelmente seria eliminada para o Brasil do ciclo pré-copa, tirou a Argentina da fila dentro do Maracanã, caiu para uma envelhecida Croácia e tirou e gerou uma crise identitária na seleção brasileira.


Indo para a seleção feminina, os mundiais de 1991 e 1995 ensinaram algumas coisas para aquelas mulheres, que no último ato do primeiro grande time feminino chegou em terceiro lugar no mundial de 1999, eternizando Sissi como uma das grandes craques do futebol.


2003, era o inicio de uma extremamente promissora seleção feminina, que contava com as estreias de Marta e Cristiane. O time regrediu em relação a copa anterior, mas, aquela base daria a melhor campanha da seleção feminina até então.


2007, o grande ano, com o auge de toda uma geração, pudemos sonhar com o titulo. Goleando a favorita seleção estadunidense e saindo na frente na final contra a Alemanha, podemos sentir o gostinho do que é ser campeão, pena que os 2x0 da Alemanha na final nos entregou apenas a medalha de prata.


Essa genial campanha de 2007 acendeu uma luz em algum gênio que pensou: Já que essa geração é muito boa, vamos estagnar os investimentos da modalidade e extrair até a ultima gota do que essas atletas podem dar para a gente. Desde então, estamos há 16 anos sem pisar em uma semifinal de Copa do Mundo.


O estopim foi a Copa de 2019, onde uma eliminação por falhas individuais acendeu uma luz na CBF. Depois dali, o futebol feminino começou a ter outro olhar. Mais transmissões em TV Aberta, mais patrocínio, melhor cobertura, mais investimento, obrigatoriedade de ter a categoria feminina para os times, tudo isso somava para um melhor ciclo.


A chegada da treinadora sueca bi medalhista de ouro Pia Sundhage, animava, pois teríamos uma boa treinadora e uma geração que renderia demais nas mãos dela. Pena que quando saiu do papel, o resultado foi totalmente diferente.


Um esquema datado, sem muita variação, que limitava a qualidade individual das atletas, e que só dominou na América do Sul porque o Brasil é infinitamente superior, a seleção chegava com muita desconfiança para a Copa, mesmo com resultados, o trabalho de Sundhage não convencia em campo, e foi em campo que vimos que o buraco é mais embaixo.


No primeiro jogo, uma vitória tranquila. No segundo, uma derrota facilmente evitável, já que os gols foram falhas previsíveis e que de maneira muito simples, poderiam ter sido anuladas. A derrota contra a França forçava o Brasil a vencer uma boa seleção jamaicana e a tensão estava no ar.


Mesmo necessitando de vaquinha para ir ao mundial, a Jamaica estava longe de ser uma seleção boba. Empatando contra a forte França, fazendo o dever de casa contra o Panamá, chegava em Melbourne precisando apenas de um empate para ir as oitavas, e bem, o ferrolho caribenho não foi aberto, e num jogo tático e mental, mandou as brasileiras de volta para casa.


Sem criar grandes chances, um jogo mal jogado, sem alternativa, esquema batido, treinadora perdida, atletas apáticas, tudo isso foi um conjunto de fatores para uma derrota vergonhosa, sem precedentes e que seja o inicio de uma grande reformulação.


No sub-20, após desperdiçar boas safras e ficar fora de dois mundiais, o Brasil retornava ao mundial com um elenco fortíssimo e um treinador não condizente com o nível de suas peças.


O treinador da equipe para o torneio era Ramon Menezes, um excelente meio-campista e um técnico com muito a provar. Seu melhor trabalho foram 6 meses de Vasco, e alguém achou plausível dar uma safra de jovens excelentes para esse cara.


Nas entrevistas, evidentemente perdido, em campo, pior ainda. Sem padrão, sem voz, sem alterações que mudassem algo, era basicamente um vídeo game jogando no automático. O time rendia porque tinha qualidade, mas era incrivelmente bagunçado, e a bagunça custou a eliminação.


Uma eliminação bastante estranha para Israel, onde mais uma vez foi passado na cara do brasileiro que talento não é tudo, e esforço e organização podem vencer 11 craques se esses 11 craques forem um bando em campo.


Num jogo até equilibrado, Israel surpreendeu, teve mais cabeça e saiu vencedor, enquanto um excelente Brasil seguirá nas mãos de gente que pode não saber utilizar futuros craques e transformar uma potência em um time bastante comum.


Os três setores abordados tem exatamente os mesmos problemas: Muito discurso, pouca ação, falta de projeto, falta de padrão, falta de continuidade. Tudo isso está embutido na instituição que administra mal demais o futebol do país do futebol.


O discurso de ter equidade com os Europeus, sem dar uma estrutura similar para as meninas ou para a base, sem ter um projeto que se inicie nas categorias de base, sem conhecer a raiz, origem e estilo do próprio futebol, sem identificação, sem líderes, sem nada a não ser uma camisa que um dia já foi pesada.


Falta ao Brasil humildade para reconhecer que está falhando há mais de 20 anos, falta humildade para estudar e entender como o projeto marroquino deu tão certo e o Brasil falha repetidas vezes da mesma maneira, falta investir em preparo nacional para não buscar copiar o que é do outro.


Falta entender que simplesmente trazer um treinador europeu não irá nos transformar em uma potência, falta consciência para entender que se humilhar por Carlo Ancelotti apenas apequena nossa seleção para o mundo. Falta entender que uma melhor categoria de base, com um misto de tática e qualidade podem ajudar muito mais do que sair vendendo jogador para a Europa como se fosse comodities.


Falta dar tempo para os nossos treinadores se desenvolverem, e termos alguém que saiba o que é ser brasileiro, como a seleção brasileira pode e deve jogar, manter o que é nosso, e do que é gringo, apenas buscar coisas que nos faltam, como estrutura, organização, planejamento, projeto e constância.


Trazer treinador europeu não irá resolver problema algum, a única saída é ter estrutura europeia, organização europeia e futebol, cultura e jeito de brasileiro. Não adianta nada copiar os outros se você não tem a mesma base, mas, tem como fazer melhor que os outros tendo uma base e o diferencial, o poder de fabricar craques que só o Brasil tem, afinal, o que seria do futebol sem os brasileiros?


Constância, Planejamento, Projeto, coisas que qualquer organização minimamente competitiva tem mapeada, e uma coisa que a CBF negligenciou por muito tempo, mas que agora se torna bastante urgente.


Não adianta ter treinador estrangeiro com estrutura mal feita. Que tal um pouco de autocrítica, investimento, e brasileiros que são muito bons no que fazem com uma estrutura condizente com a qualidade deles?


Um melhor Campeonato Brasileiro, uma melhor base, o entendimento de que nós somos uma escola, e mais que tudo, parar de ser vira-lata. Esses são os meios que os dirigentes tem que tomar para que em todas as categorias, o Brasil volte a ser Brasil, e não uma cópia mal feita de seleções engessadas e sem personalidade.



*As opiniões aqui emitidas, são de total responsabilidade de seus autores, e não necessariamente refletem a opinião do Dimensão Esportiva.

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