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Opinião: Existem 0x0 que são bons jogos


Reprodução: @sefutbol


Croácia e Espanha decidiram o titulo da terceira Nations League, e o que se viu no De Kuip foi um jogo bastante antagônico ao placar final, com atuações magistrais dos goleiros, um bom volume de finalizações e uma partida excelente de ambos sistemas defensivos, o 0x0 foi um placar bastante injusto.


Ambas seleções passando por um momento transitivo, mas com uma delas estando melhor consolidada no futebol recente, essa decisão poderia coroar uma excelente geração Croata com um titulo ou garantir um inicio de ciclo vitorioso para a nova safra Espanhola.


Escolas diferentes, mesmo objetivo, a posse de bola. Tendo no tempo regulamentar a posse dividida, cada time a usou do jeito que lhe achava conveniente. Com La Furia girando com calma, toques curtos, buscando desestabilizar um único lado do campo e por ali, achar o caminho para o gol. Com os Iugos, a estratégia era puxar toda a marcação para um único, criando assim um vão na segunda trave, para que Perisic aparecesse livre para finalizar.


O duelo defensivo, que para mim foi o ponto alto do jogo, também teve estratégias bem diferentes. Enquanto a Espanha subia suas linhas para pressionar a saída de bola, a Croácia recuava suas linhas, num 4-4-2, compactado e de bloco baixo, fechando todas as opções de passe espanholas e cercando jogadores de jogada individual, como Yeremi Pino.


A Espanha priorizou muito o lado esquerdo, tanto como forma de atacar, mas como de defender, onde o trio Jordi Alba, Fabian Ruiz e Yeremi Pino faziam boas triangulações para gerar espaço no ferrolho Croata, que algumas vezes foi aberto, gerando excelentes finalizações e faltas perigosas, advindas dos perigosos e rápidos dribles de Pino.


O lado direito foi a maior dor de cabeça de De La Fuente, também nas duas fases do jogo. Como sua sustentabilidade ofensiva se baseia em desmanchar o bloco defensivo de um único lado e gerar finalização por esse lado, Jesus Navas e Marco Asensio passaram a partida inteira jogando sozinhos, onde ou o 10 espanhol tinha que se posicionar na área para finalizar, ou Navas tentando buscar um corredor nas costas de Perisic para cruzar a bola na área.


Na fase defensiva, Asensio mal recompunha e forçava Jesus Navas a marcar sozinho os deslocamentos de Ivanusec para o meio e ainda cabia a ele cobrir as subidas de Perisic ao ataque, tornando a sustenção defensiva do lado direito inexistente, onde a Espanha contou muito com Unai Simón para salvar as finalizações geradas por esse buraco na zona lateral do campo.


Já o lado direito do campo Croata, Juranovic e Pasalic fizeram boas partidas defensivas e foram quase que completamente anulados ofensivamente. O desgaste físico de ter de parar Jordi Alba e Pino minou as boas subidas ofensivas de Juranovic, enquanto Pasalic, que é mais um meia do que um ponta, também se desgastou muito nas fases de defesa, e teve seu tempo de raciocínio e espaço para trabalhar a bola reduzidos por uma marcação dupla, e as vezes tripla, no terço final do campo.


Esse fato forçou Modric e Brozovic se deslocarem para o lado direito do ataque, gerando desafogo, mas também uma superlotação desse lado do campo, que também contava com Kramaric, que taticamente já fazia o movimento de sair do centro para as pontas. A superlotação por sua vez, criou uma falta de preenchimento na grande área, onde muitas vezes tinha apenas Perisic para finalizar.


Na visão desse que vos escreve, a tática de Dalic foi errônea. Pois com Perisic na lateral esquerda, além de prejudicar a saída, força um bom ponta, que é Ivanusec, a abrir corredor e perde duas das melhores características do ponta: Jogada individual e corrida em diagonal.


Fora isso, a entrada de Petkovic no lugar do próprio Ivanusec prejudicou não só Kramaric, mas também Majer. Petkovic deslocou um Kramaric evidentemente fadigado para a ponta, minando seu bom jogo pelo centro, o tirando de combate para a prorrogação e forçando ele a ser uma válvula de escape pelos lados, quando o camisa nove já não tinha mais folego para tal ação.


Majer ficou com a tarefa ingrata de carregar todos os contra-ataques de uma Croácia esgotada, sem uma áncora de pivô, já que Petkovic foi incapaz de puxar a marcação para si mesmo, e sem ter um Ivanusec para subir em velocidade ou um Kramaric pra desmarcar os corredores, ficando sozinho em praticamente todas as jogadas, tendo de enfrentar sozinho a boa recomposição espanhola, que chegava consideravelmente mais rápido ao seu campo defensivo do que o já desgastado ataque croata.


Uma ideia um pouco mais inteligente seria iniciar com um trio de ataque: Perisic, Petkovic e Kramaric, com Sosa na lateral esquerda. Assim Perisic teria menos funções defensivas, Kramaric não jogaria sozinho lá na frente e abriria bons espaços para Petkovic jogar como um nove de área, aproveitando os vãos abertos e aparecendo em boa posição para finalizar.


Fazendo isso, Dalic teria os bons, habilidosos, inteligentes, rápidos e descansados Majer e Ivanusec para matar uma Espanha, já bem gasta, em contra-ataques na reta final de jogo, evitando o sufoco desnecessário que passou pós 30 minutos do segundo tempo e todos os 30 minutos de prorrogação.


Sem esquecer o que fez contra o Brasil, a Croácia alterou um pouco seu esquema de marcação, subindo Kramaric e Petkovic para sufocar a saída de bola espahola, e criou um losango no meio, que fechava e afastava todas as opções de espaço do meio e criava um buraco por ali, tirando a Espanha da sua zona de conforto.


Os Espanhóis responderam com uma linha mais baixa e congestionando demais as linhas de passe pelo meio, forçando a Croácia a lateralizar demasiadamente seu jogo, forçando bolas longas para atacantes já cansados ou indo para zonas de jogo que a Espanha tinha total domínio e controle das ações.


Para tentar remediar a situação, Brozovic era recuado a lateral esquerda, para dar liberdade ofensiva a Perisic, e cumprir a lacuna deixada por Gvardiol, que é uma peça fundamental na construção de jogo croata, por ler bem os espaços e passar tanto curto como longo.


A Espanha mexeu melhor, deu sangue novo com Fati pela direita, mesmo que perdesse poder de marcação, ganhou um jogador rápido, inteligente e agudo. Merino entrou para dar mais criatividade ao time, e mais mobilidade ao meio campo, melhorando muito as saída de bola e subindo com perigo ao ataque.


Olmo deu mais poder de finalização, e melhor qualidade de passes longos, enquanto Nacho entrou por necessidade e Carvajal, já na prorrogação, por total esgotamento físico de Jesus Navas.


Com as alterações, a Espanha praticamente matou o jogo, tendo um melhor time, mais descansado, poderia ter aberto o placar em diversas oportunidades, porém, foi incapaz, mas, conseguiu passar 45 minutos sem ser agredida, e sem se cansar muito, pois uma Croácia nas cordas não apresentava nenhum perigo a La Furia, que brincava de perder gols, mas mantinha a posse e o controle do jogo, trocando muitos passes e acelerando algumas jogadas quando necessário.


Apesar do amplo domínio, viu o titulo parar em defesas de Livakovic e até nas panturrilhas de Perisic. Nas cordas e sem ter muito o que fazer, a Croácia só fez um seis por meia dúzia na prorrogação. Tirou o lateral Juranovic para colocar o também lateral Stanisic, não gerando muita mudança e sendo apenas alteração por cansaço.


Com duas substituições a fazer, Dalic não mexeu mais no time e contou com a competência de seus defensores para seguir aos pênaltis. Talvez por não ter mais atacantes ou meias ofensivos no banco, o treinador croata decidiu encerrar a partida com essas duas substituições a fazer.


Nos pênaltis fomos às alternadas e coube a Dani Carvajal, que entrou por uma necessidade, bater e converter o pênalti decisivo e coroar a Espanha como campeã da Nations league.


A Croácia por sua vez foi guerreira e fez seu povo acreditar mais uma vez que era possível. Talvez, com um banco melhor, ou se a estratégia fosse diferente, Luka Modric, Zlatko Dalic, e os outros atletas e comissão técnica poderiam ter dado ao pequeno país Europeu, uma taça para realizar um desfile.


A Espanha por sua vez, supera um jejum de 11 anos sem conquistas, o vice da ultima Nations, três péssimas Copas do Mundo, e inicia um novo ciclo, bastante promissor, com um titulo inédito.


O até então interino Luis de la Fuente, pode ser efetivado, e os horizontes dessa "nova e competente seleção espanhola são bastante promissores.


*As opiniões aqui emitidas são de total responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem a opinião do Dimensão Esportiva.








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