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OPINIÃO: A 777 limita a grandeza do Vasco da Gama

Atualizado: 3 de fev.



Das quatro primeiras grandes SAF's do futebol, a do Vasco é a que mais me incomoda. Não digo decepção, pois não esperava nada da sombria e pouco confiável 777 Partners, contudo, também não imaginava que seria algo tão complicado. Dono majoritário de clubes tradicionais por toda Europa, a nebulosa holding de futebol tem como objetivo simples de: Zerar dividas dos clubes, montar times medianos e lucrar com excedente de grandes torcidas e venda de promessas a preço de banana.


Dos clubes na qual é dono majoritário, apenas o Melbourne Victory tem resultados expressivos. Everton, Genoa e Standard Liege possuem elencos medianos e o meio da tabela parece o teto máximo dessas equipes. O Red Star é apenas um time das divisões menores da França e o Hertha Berlim vive quem sabe, a maior crise técnica e financeira de sua história recente. O único case de sucesso até então seria o Sevilla, sendo parte minoritária do clube e fracassando ao tentar comprar outras partes e mesmo assim, o clube teve uma queda de produção imensa nessa temporada e errou na contratação do técnico.


A venda do Vasco só ocorreu pela grave crise financeira do clube e pela literal necessidade de continuar existindo. As contratações feitas ainda no período de Série B aliadas às falas de Josh Wander de que: "Agora a diferença financeira entre o Flamengo e o Vasco vai acabar" já nos anunciavam o cheiro de coisa errada.


Entregar o planejamento do retorno à Série A ao Paulo Bracks se mostrou um erro absurdo, mesmo que Bracks tenha feito trabalhos "ok" no América Mineiro e no Internacional. Contudo, a saga pelo zagueiro Manuel Capasso, que nada agregou no time, a vinda de Léo por R$ 16 milhões, Puma Rodriguez, Robson, Patrick de Lucca entre outros nomes, mostraram uma gigantesca inaptidão no mercado.


O time mediano na mão de Mauricio Barbieri foi um completo desastre e o Vasco já contava com o penta rebaixamento, a sorte é que em um dos poucos momentos de lucidez dessa administração, trouxeram um pacotão com o experiente Ramon Díaz e os bons: Medel, Maicon, Paulo Henrique, Paulinho, Rossi e Vegetti, além do craque Payet. Mesmo com um time consideravelmente melhor, o Vasco só escapou na ultima rodada e com uma combinação de resultados, ligando o alerta vermelho para um melhor planejamento em 2024.


O tal planejamento começa com a demissão de Bracks e a contratação de Alexandre Mattos. Mattos que com seu primeiro grande movimento, contrata em definitivo o excelente e promissor zagueiro João Victor, contudo, o mercado do Vasco continua lento pois tudo depende dos Sim's e Não's da empresa dona da equipe, dificultando não só as negociações como também a opção pelos "bons e baratos" como foi o David.


Essa falta de autorização e estrutura hierárquica de pulso firme deixa o Vasco como uma presa fácil no mercado, onde outras equipes com mais agilidade podem levar os melhores jogadores enquanto o cruzmaltino se vê de mãos atadas. Fora isso, a implicância de não liberar verba para contratações força Mattos a fazer reengenharias financeiras para melhorar o time, incluindo vender promessas pouco utilizadas ou o melhor jogador do time, para assim reforçar um elenco bastante deficiente e que não cumpre os mundos e fundos prometidos pelos donos.


O início de uma temporada prometida como afirmação já é problemática. Contratação de um zagueiro para jogar como lateral, indefinição do esquema tático, uma provável saída de Luca Orellano, lesão de Paulinho e nenhum sinal de que realmente podemos acreditar que o Vasco será uma equipe forte e confiável.


Jogar tudo nas costas do treinador, que dia após dia clama por reforços, é a principal amostra do descaso dos donos com a equipe. Um treinador excelente, com uma espinha dorsal boa até pode vencer alguns jogos, porém, sem profundidade, vive mais um ano de lampejos e de queda técnica por fadiga.


A 777 Partners fez a escolha ideal nessa compra. Pegaram um clube histórico, com uma torcida alucinada e que independente do elenco que montasse, iria ter lucro, pois iriam vender ingresso, sócio e camisa. No fim das contas, brigar contra o rebaixamento durante 38 rodadas foi benéfico para a diretoria, já que o clube arrecadou demais com a torcida empurrando a equipe medíocre ao troféu "escapamento".


Para quem acredita que a SAF será benéfica à base do clube, saiba que não é um pensamento completamente errado. Uma melhor estrutura e uma equipe bem mais organizada que em anos anteriores, pode promover uma melhor adaptação a diversos jovens talentos, contudo, talentos que pouco serão aproveitados, porque se não forem vendidos para ter capital de giro, bater metas de lucro e etc., serão repassados a Everton e Genoa por um preço ridículo.


Óbvio que nenhum processo é da noite para o dia, mas, o Bahia e o Botafogo funcionam com mais autonomia e passam a impressão de que seus donos sabem explorar a moeda desvalorizada que é o Real. O clube baiano montou o meio campo dos sonhos, renovou as laterais e deve trazer um centroavante de peso, enquanto o Botafogo montou uma base sólida e apenas faz reforços pontuais.


O fato do Vasco ter se vendido ao primeiro grupo que apareceu é um grande problema, porque vemos indícios de que as coisas serão do jeito que eram, mas, pagando caro em um ou dois jogadores por ano, já que reforços que seriam plausíveis com ou sem SAF continuam chegando e o time segue firme na missão "16º colocado com estilo". A equipe consegue se manter competitiva apenas pelas poucas peças desequilibrantes que possui na equipe, e na ausência dessas peças, é uma equipe comum e desorganizada, que clama por reforços e recebe silêncio.


Os americanos enganaram uma tradicional equipe no famoso "canto da sereia". Pegaram uma equipe tradicional, fizeram mínimos investimentos e coisas básicas como: honrar vencimentos mensais e caíram nas graças do povo, contudo, o tempo mostrou que o Vasco deverá ser mais uma equipe escanteada na rede, que tem de se humilhar por verba e que só será útil enquanto gerar superavit.


O torcedor do Vasco que sonhou com uma real mudança recebeu em partes isso. O time realmente é rico, agora o dinheiro fica totalmente retido no grupo que controla a equipe e nada podem fazer com isso, já que como o modelo associativo foi implodido para que o clube seguisse sobrevivendo, exigir melhoras virou algo como conversar com a parede. Escolhas são feitas e devem ser arcadas, esperamos apenas que um clube tão histórico se mantenha de pé e evitando, mesmo que aos trancos e barrancos, os problemas que aconteceram com Hertha Berlim e Everton por exemplo, para que mesmo que nunca mais vejamos times espetaculares, a tradição se mantenha viva por muitos e muitos anos, e que um marco nacional se perpetue vivo.



*As opiniões aqui emitidas são de total responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem a opinião do Dimensão Esportiva.

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