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Isonomia e outras palavras bonitas

O atual imbróglio sobre o público nos estádios é somente mais um dos absurdos patrocinados pela diretoria do Flamengo


Foto: Alexandre Vidal / Flamengo


Nas últimas semanas temos visto uma chuva de mandos e desmandos dentro do futebol. A volta do público é esperada por todos que amam e sentem saudades de frequentarem os estádios e verem seus clubes jogarem. Desde março de 2020 todos os clubes do futebol brasileiro perderam uma de suas principais rendas, planejamentos foram refeitos e negociações feitas no desespero para que as contas, já em frangalhos, dessem algum tipo de respiro.


É preciso admitir, ver os estádios europeus cheios novamente faz os olhos brilharem. O Brasil, uma cultura tão viva dentro do futebol, colhe os frutos de uma gestão desastrada na pandemia da COVID-19 e que, graças ao SUS e sua eficiência, é possível ver uma luz no fim do túnel com uma vacinação avançando e os números de casos diminuindo.


Ora, se tem um momento que a discussão da volta ao público pode ser feita é agora, certo? Precisamos relembrar que o futebol, na lista das coisas mais importantes que existem, fica em último lugar. Só de pensar na aglomeração e deslocamento que a volta do público poderá fazer, tremo de medo. Mas certo, em um período de semi normalidade, a vida pode voltar com certas limitações.


Então temos o Flamengo, um gigante brasileiro, financeiro e esportivamente um sucesso. O processo de reorganização do clube rendeu Libertadores, dois Brasileiros e uma hegemonia de dar medo. O time mantém uma base sólida de jogadores e um elenco cada vez mais vasto. Entretanto, desde o começo da pandemia, a diretoria do clube, que não representa sua gigantesca torcida, tem tomado um rumo no mínimo peculiar.


A volta do público aos estádios tem sido a pauta da diretoria rubro negra em diversos momentos durante esse período de 1 ano e 6 meses em que vivemos numa pandemia. Entretanto, a postura controversa de Rodolfo Landim e seus companheiros começou antes da briga atual por público.


Quando todos os clubes do Brasil interromperam treinos por cerca de 4 meses para evitar a disseminação do vírus, o Flamengo pleiteou a volta do Campeonato Carioca em uma demonstração de força dentro da FERJ. Chegou a treinar sem a autorização sanitária antes que todos os outros clubes e, à fórceps, conseguiu voltar a jogar. Os outros times do Rio de Janeiro foram contra a volta, claramente a isonomia foi prejudicada. O fato da equipe da Gávea ter treinado antes fez o grande time de Jorge Jesus ganhar a competição com pé nas costas, o que já ganharia antes, mas somente por estar na frente fisicamente em comparação com times semi profissionais do Rio já demonstrava um claro desequilíbrio.


E o Flamengo seguiu, a pandemia bateu forte em todos os aspectos, fazendo Jorge Jesus e Rafinha irem embora. Nesse meio tempo, Rodolfo Landim ia em programas de TV defender o protocolo que o clube produziu.


Na competição nacional, mesmo com o protocolo da CBF, tivemos times inteiros contaminados pelo vírus e que jogaram com inúmeros desfalques. Na vez que o Flamengo foi uma terrível vítima da contaminação, houve a tentativa de adiamento da partida. Mesmo assim, o Fla conseguiu um bom empate fora de casa. Ao final do Campeonato Brasileiro, o clube da Gávea conseguiu, meio que por acaso, ser campeão.


Foi no começo da temporada de 2021, no Carioca, que as discussões da volta aos estádios foi pleiteada. Em março, a FERJ e o Fla entraram numa briga jurídica contra Flu, Vasco e Botafogo para a volta do público. O Brasil vivia o pico da segunda onda e as imagens de Manaus lotando leitos assustavam a todos. Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente, proibiram jogos do Estadual em suas cidades. Volta Redonda recebeu jogos do Campeonato Carioca e Paulista. E o assunto era a volta do público aos estádios.


Na época, a polêmica foi grande, mas a final do Carioca foi realizada no Maracanã. Sem torcida e com vitória do Flamengo, mais um título para a conta. Nessa época, conversas da saída de Gerson, o habilidoso meio campista, já rondavam os noticiários esportivos. 20 dias depois, a proposta do Olympique de Marseille (FRA) se concretizou e Gerson deu adeus ao Fla. Marcos Braz, vice de futebol, em entrevista, disse: "Talvez se houvesse público, a gente nem começaria a ouvir a proposta do Gerson. Mas, infelizmente, isso não é possível”


Todo esse contexto está longe de ser um ataque ao Flamengo, mas é preciso entender de onde vem o interesse da atual diretoria rubro-negra em ser negacionista em relação à pandemia. O motivo é só um: dinheiro indo embora. A conta de um investimento milionário em reforços só bate com vendas e público nos estádios, além de uma gestão competente. É óbvio que o clube não vai ter problemas financeiros por isso, mas pequenas feridas no orçamento estão acontecendo.


E o Fla tem conseguido vitórias jurídicas, não reconhecendo pleitos coletivos e ultrapassando a ética entre os clubes. É preciso citar que o Galo e Cruzeiro também se envolveram em confusões por receber torcida no Mineirão. Pensar de forma egoísta não é novidade no futebol brasileiro, se não fosse o Fla, outro clube poderia ser a bola da vez em outro contexto. Exemplos não faltam.


Devagar, entre derrotas e vitórias, a diretoria flamenguista vai conseguir a volta do público. Passando por cima de algumas questões morais complicadas, mas vai. Até a próxima crise de egoísmo de outro clube brasileiro, nos colocando em uma posição de espectador de um teatro em que sabemos o final.


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