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Fabiano Soares e o desejo de voltar ao seu país

O treinador que trabalhou no futebol europeu por muitos anos fala sobre a vontade de retornar para o Brasil



Foto: Arquivo Pessoal



Fabiano Soares Pessoa nasceu no dia 10 de junho de 1966 em Minas Gerais, mas se mudou para o Rio de Janeiro ainda com 1 ano de idade. O ex-meia e agora treinador viveu boa parte de sua carreira no futebol espanhol, a ponto de carregar um sotaque em sua fala. Em entrevista ao Dimensão Esportiva, o treinador, que hoje mora em Portugal, contou um pouco sobre a sua carreira:



A carreira de atleta

Fabiano em ação pelo Botafogo, em 2001 (Foto: Ricardo Duarte/Agencia RBS)



Quando era atleta, no final dos anos 80, Fabiano teve passagens por Botafogo e Cruzeiro antes de partir para o futebol espanhol.


"Eu fiz a base no Botafogo, que na época não dava muita oportunidade para o pessoal da base. Até ia para o banco em alguns jogos, mas não entrava, e o time já levava muitos anos sem ser campeão. Todo mundo falou que eu era um bom jogador mas o Botafogo não dava oportunidade. Ai o Alemão (ex-jogador com passagem pelo Napoli) me levou para um time da cidade dele (Fabril, de Lavras, Sul de Minas Gerais) onde disputei o Campeonato Mineiro, que acabamos em terceiro lugar" - contou Fabiano


"Depois, o Cruzeiro me contratou para a disputa do Campeonato Brasileiro de 1988, mas também joguei pouco e, em 89, acabei indo para o São José, em São Paulo, para jogar o Paulista, onde acabamos vice-campeões. Depois disso, fui vendido para o Celta de Vigo, daí fiquei todo o tempo aqui na Espanha até encerrar minha carreira" - completou.


Mas, antes de encerrar sua carreira em campo, ele chegou a voltar ao Brasil:


"Em 2001, eu tive uma oferta do Botafogo, o Paulo Autuori era o técnico, para disputar o Brasileiro daquele ano. Aceitei, pois já estava muito tempo longe do Brasil, minha mãe queria que eu voltasse, ficasse mais perto, e também era a equipe onde eu comecei, então aceitei e foi muito bom".


Fabiano jogou boa parte de sua carreira pelo Compostela (Foto: José Antonio Sanz)



No primeiro momento após a aposentadoria, Fabiano não tinha vontade de se tornar treinador:


"Quando me aposentei, surgiu uma oportunidade na federação para jogadores, ou que jogaram 5 jogos pela seleção ou que jogaram pelo menos 8 anos na primeira divisão, pudessem fazer um curso de treinador. Eu não tinha vontade de fazer, falava que não queria ser treinador, aí um amigo meu me animou e eu fui. E assim eu cheguei aqui".



O retorno ao Brasil como treinador

Fabiano treinou o Athletico em 2017 (Foto: Reprodução/RPC)



Após 11 anos como treinador em solo europeu (5 na Espanha e 6 em Portugal), Fabiano finalmente teve sua primeira chance no futebol brasileiro. Em 2017, ele foi anunciado pelo Athletico Paranaense.


"Teve minha vontade de voltar ao Brasil, porque eu sou brasileiro e acabei fazendo toda a minha carreira fora, então tinha vontade de trabalhar no Brasil. Houve contato com algumas pessoas, nisso meu nome chegou na mão do Petraglia e eu também tive sorte que o diretor era o Autuori, que me conhecia. O Petraglia perguntou a ele sobre mim, e ele respondeu que confiava muito em mim, e assim eu fui convidado e fui" - contou sobre a sua chegada ao Furacão.


Fabiano ainda explicou a sua repentina saída do clube: "Eu ainda tinha um ano de contrato, mas com a saída do Autuori, eu achei que, por ética, era melhor eu sair, pois foi ele que me levou e seguir sem ele não seria ético da minha parte. Isso me prejudicou um pouco, mas creio que fiz certo".



A aventura na Ásia

No primeiro semestre de 2019, Fabiano treinou o Jeonnam Dragons, na Coréia do Sul (Foto: Divulgação)



O último trabalho de Fabiano foi na Coréia do Sul, quando treinador comandou o Jeonnam Dragons, e ele falou sobre a experiência diferente:


"Aprendi muito, os coreanos são pessoas muito boas, um país muito legal. Só que pouca gente falava inglês, ainda mais que eu estava numa cidade do interior que fica à 4 horas de Seul, então quase ninguém falava inglês. Eu tinha um tradutor espanhol que tentava me ajudar. Cheguei lá, me encontrei com cinco treinadores coreanos que viviam dentro da concentração, então eu quis mudar alguma coisa, já que eles quiseram me contratar, eu tinha que fazer alguma coisa diferente, já que eles são muito tradicionais, tinham algumas ideias obsoletas".


"Acabou que tive conflitos grandes com cinco pessoas dentro do clube, pois o que eu combinei quando cheguei era que tinha que formar uma pessoa, não cinco. Esses cinco davam muito para trás, eu não sabia o idioma, não sabia o que eles falavam com meus jogadores. Com os jogadores, tive uma ótima relação, foi uma experiência boa, o ruim foi a questão do idioma, então tu perde 30% ou 40% das informações, que não chegam. Mas foi muito bom, fiquei feliz, fui muito amigo do presidente, fizeram uma linda despedida para mim".



O futebol brasileiro hoje


A conversa não ficou apenas na carreira de Fabiano. O treinador também falou sobre o momento do futebol brasileiro:

Atual treinador do Flamengo, Jorge Jesus enfrentou Fabiano em Portugal (Foto: SAPO Desporto)



Perguntado sobre o Flamengo de Jorge Jesus, Fabiano falou sobre o que pensa do time carioca e contou que conheceu "JJ" em Portugal, quando treinava o Estoril:


"Enfrentamos ele no Benfica e no Sporting, inclusive ele gostava que minha equipe jogava sem violência e então, de vez em quando, ele me pedia para levar o Estoril lá no centro de treinamento do Sporting. Era engraçado, porque ele me falava 'Fabiano, se quiser entrar em campo, entra, porque eu vou entrar e vou dar dura nos jogadores e corrigir e se você quiser, pode corrigir também'. Ele interferia sempre, entrava no campo e dava bronca nos seus jogadores, assim como faz no Flamengo. É uma pessoa que eu gosto, que eu sempre desejei sorte, e espero que ele conquiste algo aí porque ele merece".


Questionado se o português é de fato diferenciado, Fabiano respondeu: "O Flamengo tem uma seleção, isso ninguém tem dúvida, mas ele também tem seu mérito, ele endireitou o time. Tudo bem que o Abel não tinha os laterais, não tinha o espanhol (Pablo Marí), não tinha o Gerson, mas ele é um grande treinador que conseguiu armar um sistema tático que funciona no Flamengo, e eu acho que todos tem que ser corretos de afirmar que ele acertou o time e que ele ajudou, com suas formas de pensar, o jogo para esse time que ele tem".


"Eu vou ser sincero: joguei e treinei na Espanha e treinei em Portugal. Portugal tem muitos bons treinadores, mas também tem muitos maus treinadores, assim como no Brasil, então eu acho que não tem que endeusar nem um, nem outro. Agora, dizer que ele não sabe nada não é certo, ele tem um mérito sim nessa forma que o Flamengo joga, logicamente ajudado pelos jogadores que tem, mas eu fico feliz que ele tenha funcionado" - completou.



Assim como Fabiano, Tiago Nunes chegou ao Athletico com a temporada em andamento e o time em um momento ruim (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)



Obviamente, o treinador falou sobre o atual momento de dois times onde ele trabalhou: começando pelo mais recente, Fabiano comentou a saída de Tiago Nunes do Athletico-PR:


"Sem estar lá dentro, é difícil saber o que houve. Ouvi comentários que ele teve 'encrespações' com o presidente, então é complicado. O Corinthians é um grande clube, mas o Athletico também é. O Athletico deu chance para ele, quando eu estive lá ele treinava o sub-20, conversava com ele no café da manhã e no almoço. É uma pessoa muito competente e correta, teve sorte de ganhar, fico feliz por ele. Mas, se ele quis sair, só cabe a ele e desejo sorte para ele. Sem saber o que estava acontecendo lá dentro, não posso comentar nada, só posso dizer que ele sai de um grande clube para outro. Eu acho que o Corinthians oferece quase a mesma coisa que o Athletico, com a diferença que é uma dimensão muito maior, porque é São Paulo, é o Corinthians. Só desejo sorte para ele".



Com Alberto Valentim, o Botafogo tem 2 vitórias em 7 jogos e segue ameaçado de rebaixamento (Foto: Vítor Silva/Botafogo)



Também deu tempo de falar do clube que lhe abriu as portas como atleta:


"O momento atual do Botafogo é consequência de mau planejamento, avaliação e contratação de jogadores que não são condizentes com a história do clube, quem toma as decisões está escolhendo mal e é tudo consequência disso. No Brasil, ganhar um jogo fica tudo bem, mas é pão para hoje e fome para amanhã. Fui em alguns jogos no Engenhão, acompanho jogos pela TV, e a gente vê isso principalmente no Rio. Tem que fazer uma forma de jogar, trazer jogadores correspondentes ao nível do clube. Se não há uma pessoa que, mesmo sem dinheiro, saiba organizar a equipe e escolher jogadores para o campeonato, vai dar nisso. Acho que falta saber se organizar e não deixar o pessoal de fora interferir tanto no clube e, claro, ter pessoas capacitadas para saber escolher".



E o futuro Fabiano?

Fabiano quer uma nova experiência como treinador no Brasil (Marco Oliveira/CAP)



"Pela minha idade e pela idade da minha mãe também, eu queria voltar ao Brasil. É meu país, já tive muito tempo aqui na Europa, e eu gostaria de volta. No início do ano tive uma oferta, não pude ir, e agora é esperar outra oportunidade. A minha primeira opção é o Brasil, independente de onde" - afirmou.


Fabiano também vê com bons olhos um retorno ao Furacão: "O Athletico ficou no meu coração, estava bem comandado pelo Tiago e agora está sem treinador. Eu sou um treinador no mercado e nunca recusaria uma oferta do Athletico. Eu não sei se é viável pela forma como saí, pois umas pessoas entenderam e outras não. Eu acho que é uma possibilidade que eu espero que apareça, porque foi um clube onde deixei amigos e gosto, já que é um clube extraordinário".





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