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Blog do Thiago #01: A Nostalgia e o Futebol


Olá! Essa é a primeira postagem do Blog do Thiago, onde eu, Thiago Henrique, irei falar um pouco sobre o que passar na minha cabeça sobre o esporte. Para começar, irei trazer uma opinião sobre a sensação de nostalgia no esporte mais famoso do mundo.



O perfil do X (antigo Twitter), Futebol Nostálgico! exemplifica bem isso. Obviamente esse é um post de um tom até bem humorado, trazendo como era a Premier League antes de todo o pesado investimento estrangeiro que vemos hoje, mas o perfil diariamente trás noções de um tempo que certamente não volta mais.


Primeiro, temos que entender o que é a nostalgia. Uma definição simples de um dicionário explica bem o que é esse sentimento: "Estado melancólico causado pela falta de algo ou de alguém." O exemplo que citei sobre o Futebol Nostálgico é só um entre um imensidão de conteúdos que há sobre o futebol antigo, sobre uma essência que se perdeu do esporte e sobre toda a estética que víamos antigamente. Mas será que é bem por aí mesmo? Como um esporte que teve um crescente investimento e passa por aprimoramentos táticos frequentes pôde piorar?



MUDOU MUITA COISA MESMO?



Uma coisa é inegável antes de começarmos a analisar sobre o jogo. A estética dos anos 90/2000 (e até de antes) é lindíssima. Na época de maior abertura dos designs, onde as empresas de material esportivo não tinham medo de errar e sempre seguiam criativas em seus equipamentos, causou em inúmeras obras primas de camisas e acessórios esportivos. Isso é tão notável, que temos toda uma cena de coleção de camisas retrô, com pessoas pagando altas e altas cifras.


Obviamente, tudo isso é bem alimentado, também, pela nostalgia do tempo. Os adultos hoje em dia, lembram dessa época com tanto apreço, por remeter em uma época da vida sem preocupações. Isso é extremamente normal. Conforme crescemos, a vida vai ficando mais chata, as responsabilidades se acumulam e isso é natural.


Porém o discurso de que o jogo ficou mais chato é mascarado por essa nostalgia e chega a ser desonesto. Analisando métricas de gols (o êxtase do futebol) de algumas ligas com 30 anos atrás, vemos aumento nas principais ligas. A Premier League passou de 2,65 gols/jogo na temporada 1992-93 para 2,85 na última temporada. O Brasileirão foi de 2,29 em 1992, para 2,38 em 2023. A Champions, de 2,38 para 2,98 (!). Para não me alongar, vou trazer apenas essas três. E isso daria uma estatística muito legal, pois todas as ligas que consultei para escrever esse episódio inaugural da minha coluna, tiveram aumento nesses 30 anos. Talvez, só talvez, o jogo nunca esteve tão legal quanto hoje.


Mas sabemos que futebol não é só gol. E sempre ouvimos "ah não, na minha época tinha uma mágica... tinha uma essência... não se fazem mais Ronaldinhos". E apesar dos números falarem que o jogo nunca esteve tão ativo quanto hoje, em tese, sim, temos uma carência de "mágicos" (sobretudo nacionais). Nenhum craque fica aqui muito tempo - vimos isso com Neymar e Lucas saindo cedo, e agora com Endrick e Vitor Roque já transferidos, antes mesmo de completarem 18 anos. E no futebol global, talvez entraremos numa época que nada vai nos impressionar, afinal, acabamos de presenciar a carreira de dois dos maiores gênios que esse esporte já proporcionou, com as batalhas de mais de uma década e meia de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Mas períodos entre craques não são novidades, e sempre passamos por eles. Foi assim entre 1970 e 1974, com o fim do auge do Pelé e começo do Cruyff. Junto veio Beckenbauer. Depois, Platini, Gullit, Van Basten e assim seguiu. Podíamos pensar que o nível ia cair depois desses, mas logo tivemos Zidane, Rivaldo, Ronaldo, Figo e diversos outros craques - como no outro ciclo. E provavelmente é o que vai acontecer novamente e o que sempre ocorre no futebol.


O futuro é extremamente animador. Mbappé e Haaland, que já figuram entre os cinco melhores jogadores do mundo, temos menos de 25 anos. Os brasileiros já citados, Endrick e Vitor Roque, nem nos vinte chegaram. Saka, Pedri, Vini Jr... A lista é imensa de jogadores abaixo dos 25 que já são estrelas.



OK, MAS A MAGIA?



Algo a se destacar, anteriormente no texto, é que o futebol tático evoluiu muito. No fim, ser bom é sempre um diferencial, porém, a obrigação é você respeitar as táticas propostas pelo seu treinador. O mais belo do futebol, é que nem sempre o melhor vence, e isso é amplificado pelas questões táticas. Como um bom nostálgico, pode-se dizer que isso tira a magia do jogo, e se formos analisar friamente, de fato tira um bocado.


"Não estou muito feliz com o futebol moderno, porque acho que hoje não poderia jogar com a bola, não sei onde jogaria nesses 4-3-3, não sei em qual posição jogaria, mas tive sorte que eu nasci 15 ou 20 anos antes, e ainda brincavam com os 10 que andavam por aí".

A fala destacada, é de Juan Riquelme, craque multicampeão pelo Boca Juniors, além de passagem marcante pelo Villarreal. Um dos maiores camisas 10 da história, craque absoluto argentino, exemplifica bem o sentimento da maioria dos saudosistas. Um jogo robótico, sem individualidades e totalmente pregado a tática. E com alguém com tanta bagagem no futebol com tal fala, não podemos dizer que ele está errado, afinal, quem viveu o jogo no alto nível sempre tem a contribuir, mas ainda sim, trago uma pequena reflexão.... O jogo mudou nas décadas de 30, 50, 70, 90 e agora passa por mais uma revolução. Já pensou se o jogo fosse o mesmo desde a década de 1920, antes de Herbert Chapman ter trazido o primeiro padrão tático? Imagina se o esporte que tanto amamos ainda fosse lento como a década de 60? E não estou desmerecendo tais eras, pois tivemos grandes gênios na mesma e momentos mágicos e brilhantes. Porém, parece que a problematização de mais uma revolução, nessa época que vivemos, está mais forte do que nunca.


O jogo evolui, e junto dele temos novas histórias, novos craques, e os que tanto apreciamos em um período determinado, se tornam lendas. Ok, dou o braço a torcer que dificilmente teremos dois dos 10 melhores da história jogando contemporaneamente, afinal, Messi e Cristiano foram únicos. Mas o futuro é belo sim. Reitero os craques já citados, carregando toda a inteligência e aprimoramento tático carregado dos incríveis técnicos que temos nessa época. Se o mundo não acabar e se a Arábia não comprar todo mundo, teremos ainda grandes embates no Velho Continente, e se nos estruturarmos aqui, podemos sim, um dia, voltar a Era de Ouro no nosso futebol também.


Lembrar de bons momentos não é ruim. Sentir a nostalgia e a boa época vivida de vez em quando é muito bom. Mas não podemos nos prender. O futuro é animador!

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