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Ídolos de papel

O futebol e os deslumbramento humano



Após a eliminação do Brasil para a Croácia em 2022, fica muito fácil escrever textos e parágrafos sobre os erros que levaram nossa precoce saída de mais uma Copa do Mundo. Por isso, todos podem encontrar diversas análises táticas, textos e tweets gigantescos sobre como faltou algum tipo de alma e peso da camisa na Seleção Brasileira.


Eu tentarei abordar outro aspecto que fez meus olhos saltarem nessa eliminação: o psicológico. Mas deixarei algo claro aqui, eu não gosto da análise barata que muitas pessoas fazem sobre a questão psicológica no futebol. Ter psicológico forte ou não, é algo tão subjetivo quanto medirmos a dor do outro por um ponto de vista pessoal. O famoso clichê futebolístico de que “antes isso nunca foi necessário'' chega a me dar ânsia de vômito.


Inclusive, os acontecimentos recentes de conflitos nas redes sociais entre o comentarista Casagrande e os jogadores ganhadores do Penta em 2002 são a prova que um psicólogo seria um ativo mais importante que gastar rios de dinheiro em uma carne feita com ouro. Certo, eu fui amargo nessa, eles ganharam, tem dinheiro, já fizeram a contribuição cívica para o Brasil e podem falar e fazer o que quiserem, não é?


Eu acredito que não.


Onde os erros são imperdoáveis


O futebol é injusto, cruel e muitas vezes inexplicável. Quase como uma entidade, detalhes conseguem criar um tipo de efeito borboleta em que é possível achar erros de todos os 11 jogadores do time. O Brasil, assim como tem 5 estrelas na camisa, é rei em achar erros e culpados.


Eu tenho 23 anos, cheguei a ver o Penta com dois anos. Eu cresci com a promessa do hexacampeonato implantado na minha mente. E os anos foram passando, de 4 em 4 anos eu ia vendo as derrotas, em contextos cada vez mais dolorosos. E o sentimento inocente e de conexão com a camisa amarela foi ficando cada vez mais conectado à Copa do Mundo em si.


Podemos adicionar o fato de terem usado nossa camisa como um adereço político, o que fez metade da população brasileira realmente perder qualquer tipo simpatia com a vestimenta. Aliás, chegamos no ponto em que eu queria: mais do que futebol, a conexão com os jogadores foi se perdendo.


Quando ganhar não alimenta mais



Toda essa situação dos jogadores pentacampeões contra Casagrande é um exemplo muito claro de que claramente há um vácuo entre a realidade desses ídolos com o Brasil atual. Explico: em 2002, um mundo sem internet tão desenvolvida, ganhar a Copa do Mundo por si só era a maior história de superação que uma pessoa poderia ter em sua carreira, era o argumento supremo contra qualquer tipo de crítica. Não me entendam mal, é um ótimo argumento futebolístico até hoje. Mas o mundo mudou tanto desde 2002.


Os jogadores ganhadores da Copa do Mundo trilharam seus caminhos no futebol após a conquista. A nostalgia daquela equipe sempre chega a cada competição perdida e eles vão ficando cada vez mais mitológicos, inalcançáveis, como deuses. Suas histórias sobre como mudaram a vida de suas famílias sempre colocaram suas auras como um exemplo de superação para todo menino e menina que sonha em ser jogador de futebol.


Entretanto, na era da Internet, essas mesmas pessoas tão intangíveis expõem cada dia mais suas opiniões pessoais, entram em polêmicas sobre política (um tema por si só que já divide muitas pessoas) e mais do que tudo, criticam desafetos. E caro leitor, o que me deixa pasmo é o fato de que, mesmo quando claramente eles se envolvem em questões polêmicas, é um absurdo serem criticados!


Pessoalmente falando, é uma crítica muito construtiva para a imprensa sobre como as análises devem ser mais humanas e não tão pautadas no extremismo. Afinal, é o que somos, humanos! Humanos erram, são criticados, apoiam pessoas absurdas, pedem desculpas e, mesmo com tudo isso, os seres humanos ganham Copas do Mundo!


20 anos depois


Estamos novamente amargando uma derrota, com cinco estrelas no peito e ainda juntando os cacos. Neymar, nosso craque atual, postou seu depoimento nas redes sociais falando

"Estou destruído psicologicamente”. Se eu tenho alguma crítica com relação ao trabalho do Tite, aí está, o Brasil foi a única seleção do Mundial que não teve a presença de um profissional da psicologia no staff.


Eu arrisco dizer que a derrota destruiu o psicológico do Neymar, mas ela já estava em risco antes do jogo contra a Croácia. São 20 anos perdendo para europeus em momentos decisivos, em um momento achamos que era nossa produção de craques, depois nossa formação tática, quando vamos olhar mais abertamente sobre como nosso aspecto mental fez falta em cada uma dessas derrotas?


Em um mundo em que tudo é tão público, as pessoas devem e podem errar, o futebol é somente um dos aspectos do problema. Quando jogadores como Richarlison são abertamente ativos em causas sociais e usam suas redes para isso, é possível gerar uma conexão com um Brasil que não conseguimos ver há um tempo.


É claro, nem todo jogador tem que ser assim, cada um faz o que quer e usa sua vida para o que acha mais interessante. Mas somente ganhar não será mais o argumento de uma formação de ídolos. O que inclusive nunca foi, existem inúmeros exemplos de jogadores que não ganharam grandes títulos, mas são idolatrados.


O meu ponto principal em abordar esses dois temas é que, é ótimo quando temos ídolos mais humanos, que se posicionam e falam seus pensamentos nas redes sociais! É possível humanizar as relações e entender as fragilidades de cada um, para assim, as críticas e elogios sejam mais construtivos e menos caçadores de bruxas. Porém, tudo é uma via de mão dupla, se é possível gerar simpatia com as redes sociais, é possível gerar antipatia, e parece que algumas pessoas não estão preparadas para lidar com esse ambiente tão polêmico e tenso, falta psicológico.


 

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